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Oficina Memória sócio-cultural e histórica de Vazantes - Ceará

Oficina Memória sócio-cultural e histórica de Vazantes

No inicio, Vazantes era como uma ilha, cercada pelos rios Aracoiaba e Xoró. Havia algumas casas espalhadas, mas a maioria do território era só mata. Já por volta de 1941, os transportes eram o jumento e a canoa. Depois de alguns anos surgiu o mista (carro de três boleias). A casa mais antiga é a do finado Cap. Antonio Joaquim de Oliveira. Na primeira avenida, que é a São João, havia duas ou três casinhas que, com a continuação, surgiu a rua, transformando-se mais tarde na avenida. As primeiras famílias foram os Maias, os Gomes e os Oliveiras.

As casas do Centro foram feitas numa época em que os materiais de construção eram mais baratos. Havia fábrica de algodão, engenho, plantações de hortaliças, de sementes (milho, feijão, arroz) e raízes, como a mandioca. Fazia-se a colheita da palha da carnaúba para fazer bagana (estrumo) e cera, que era vendida para fora. Da palha era feito chapéu, bolsa, vassoura e disco de vinil.

A igreja, por sua vez, foi construída pela comunidade com recursos próprios e graças ao Padre Demétrio, que foi um sacerdote muito trabalhador e bom. A estrada que segue até a Pastoral do Idoso tem o nome dele, pois foi ele quem ajudou a fazê-la: passava de cavalo e descia para limpar o caminho. E ele nem era padre daqui! Era padre de Ideal, mas gostava muito de Vazantes. Ele trazia roupas, leite, arroz, massa de milho e calçados para a comunidade. Um dia ele sentiu-se mal no meio da missa, foi socorrido, mas morreu em Aracoiaba, com 80 anos de idade e 52 anos de ordenato.

A energia utilizada era a motor, com as primeiras instalações na Fazenda Olivândia e, mais tarde, onde hoje é o Correio (área da delegacia), e finalmente na Escola Estadual João Alves Moreira. O motor funcionava das 18 às 22h e poucas casas possuíam TV e rádio (a casa do Tobias Elias de Oliveira e a do Joviniano Brasil). Esse motor surgiu através de uma cooperativa, e financiado pela família Oliveira.

Quanto à educação, havia uma escola pequena, particular, que nem oferecia certificado de conclusão de curso. As aulas eram ministradas no salão paroquial e o que era oferecido mesmo era a palmatória. A atual escola estadual existe devido o pedido de Dª. Isaura ao Sr. Antonio Maia Freire e Sr. Almir Pinto que, por sua vez, recorreram ao Secretário de Educação, Sr. Figueiredo Correia. Pedido aceito, o terreno da escola, onde antes havia uma casinha de taipa com um alpendizinho e mato, foi cedido pelo Sr. João Alves Moreira, e a pedra fundamental da escola foi colocada em 1961, construindo-se a escola que hoje tem o nome do antigo dono do terreno.

A principio não havia posto de saúde. Cuidava-se das doenças através dos curadores e os casos mais graves eram mandados para Aracoiaba, quando lá foi fundado o hospital. O posto daqui surgiu apenas quando o prefeito de Aracoiaba era o Sr. Ari. Hoje, no posto, tem serviço de enfermaria, clínica médica, dentista e pediatria. A população de Vazantes recebe remédio gratuitamente do posto, principalmente os de controle de pressão arterial e anticonceptivos.

O cemitério localizava-se onde hoje é a igreja, com poucos túmulos, sinalizados apenas por uma cruz no local onde fora enterrado o corpo.

Os elementos que representam a cultura de Vazantes são o Reisado, a Quadrilha, a Dança e o Teatro, tudo através dos mais jovens. Já o artesanato, é mantido na cidade a partir da tradição do bordado, da produção de tapete e da cunhagem da madeira.

Onde hoje é a Pastoral, havia uma fábrica de tecido próprio para redes, onde elas eram feitas por completo e vendidas às cidades vizinhas. Essa fábrica partiu de um projeto elaborado pela própria comunidade e enviado a prefeitura de Aracoiaba. A fábrica funcionou por cerca de 5 anos, parando de funcionar por conta de questões políticas em Aracoiaba.

A culinária diversificada também é um dos pontos fortes de Vazantes: estrogonofe, grude, baião de dois, mungunzá, farofa, doces caseiros, pão-de-milho, pamonha, pé-de-moleque, bolo de fubá, canjica, galinha caipira, sucos (manga, graviola, acerola, maracujá e goiaba) são exemplos de comidas locais, tradicionalmente usadas pela população.

"Vazantes hoje está um céu!!! Embora não se durma mais de portas abertas!"

As drogas estão vindo de fora e de vez em quando acontece uma morte. E infelizmente, apesar de tudo isso, não há policiamento.

As pessoas aqui são prestativas. O difícil é trabalho. A maioria dos jovens vive ou de agricultura ou da aposentadoria dos pais e avós. As mulheres ou são professoras ou são donas de casa. O que mais desejamos para nossos filhos é oportunidade de trabalho e melhoria na educação. Poderiam, por exemplo, reabrir a fábrica de tecidos, pois ainda há muitas costureiras em vazantes.

Apesar de tudo, nossa cidade evoluiu muito. Hoje temos dois colégios, uma igreja muito bem zelada, com cantores e instrumentos. Tem a Vazante Viva, que teve muita influência do Padre Pedro Rubens, sendo um setor muito importante para o crescimento educacional dos jovens. Temos ainda um grupo de crianças que toca flautas, cujo responsável é o músico Jairo, além das apresentações de teatro e dança como já foram citadas.

Não podemos deixar de ressaltar que temos também o nosso grupo de idosos, que faz parte da Pastoral da Igreja. O responsável é o Padre Pedro Rubens e tem como coordenadores Terezinha e "Tonton", além dos animadores "Bastião" e José Ferreira.

Podemos dizer que moramos numa cidade. Temos água encanada e calçamento em muitas ruas. Temos um belo açude feito pela SOIDRA, EITÊ e SRH. Lá existe um criatório de peixes, que exporta para cidades vizinhas e garante o emprego de muitas pessoas. É um açude bem estruturado.

Tudo isso é muito importante para o crescimento e desenvolvimento de nossa comunidade e para o futuro de nossos jovens e crianças. Com a ajuda de muita gente boa e importante Vazantes evoluiu muito. Muito diferente do tempo de nossa adolescência.

(Texto elaborado pelos idosos da Pastoral dos Idosos do Distrito de Aracoiaba - Vazantes - Ceará, na Oficina Memória sócio-cultural e histórica de Vazantes)
Rosália Cristina 25/06/2006 envie um e-mail para o autor

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