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EXTRATEGEMA APURATÓRIO!

No início de certa noite, a delegacia foi avisada da presença de um homem morto na zona rural, para lá foi mandado Baracho e um soldado, indo ambos num veraneio.

O local do encontro do cadáver era as cercanias de uma pequena casa de pau a pique com um verdejante gramado em volta.

A vitima estava em decúbito ventral com um ferimento de sangue coagulado na cabeça, tendo, ao lado, uma pedra de uns seis quilos com sangue da vítima em uma das suas facetas irregulares.

A esposa da vítima estava com os seus filhos pequenos e alguns vizinhos, chorando, relatou que o seu marido chegara em casa embriagado, como quase sempre ocorria, tendo ouvido um barulho do lado de fora saíra correndo, tropeçou na pedra ao ponto de arrancá-la da grama onde estava semi enterrada, culminando por cair batendo violentamente a cabeça na pedra que deslocara, morrendo em seguida.

A exceção da esposa do defunto, não foi encontrada nenhuma testemunha ocular do fato

O cadáver foi transladado para o necrotério do hospital para ser necropsiado, para posterior entrega a viúva a fim de ser sepultado.

A viúva foi intimada para comparecer dois dias depois do sepultamento para prestar esclarecimentos a respeito do lamentável acidente.

Quando compareceu ao cartório, fê-lo acompanhada de um advogado, o que causou estranheza ao nosso arguto escrivão, dado ao estado de pobreza da viúva e não ser ela suspeita de nada até aquela apresentação.

Ao ser perguntado quem estava pagando ao advogado, respondeu que era o patrão dela e do falecido marido.

Tomado seu depoimento, ela confirmou a versão verbal dada quando do comparecimento de Baracho ao local do encontro do cadáver, mas, estranhamente, a cada palavra que dizia, olhava antes apara o advogado, como se tivesse antes decorado com ele o que responderia.

Terminada a tomada dos depoimentos, ela e o advogado foram embora enquanto Baracho, meio cismado, ficava olhando a pedra suja de sangue que estava num canto do cartório.

Colocou a pedra sobre a mesa e ficou demoradamente examinando-a como se ela tivesse algo a dizer, sentindo que algo nela estava errado.

Acabado o expediente, foi para casa tendo a noite sonhado com o crime e com a pedra suja de sangue.

No dia seguinte, no primeiro expediente da manhã, tornou a colocar a pedra sobre a mesa e voltou a ficar olhando-a e, como sempre fazia quando perdia alguma coisa, iniciou olhando a pedra centímetro a centímetro numa varredura total... Achou o que o incomodava!

A pedra tinha duas colorações diferentes, uma mais escura que a outra, a de cor mais clara era a parte que estivera enterrada no gramado e, a mais escura, era a que ficara exposta aos raios solares e intempéries.

Até ai não havia nada de mais, no entanto, a mancha de sangue com alguns fios de cabelos da cabeça do cadáver estava inserida na parte mais clara da pedra, isto só poderia ter ocorrido se ele, num mergulho impossível, tivesse entrado terra à dentro para emergir debaixo da pedra dando-lhe uma cabeçada a " lá Pelé " acabando por cair morto sobre a grama com a pedra o acompanhando na trajetória e se imobilizando ao lado de sua cabeça.

Sendo impossível tal ocorrência, só poderia ter acontecido um assassinato, praticado pela própria esposa, aproveitando-se da embriagues do marido.

Acreditando em sua versão, Baracho resolveu escondê-la da autoridade policial, pedindo a ela que novamente intimasse a viúva com o advogado para novos esclarecimentos a serem dados na manhã seguinte, com muito custo, convenceu o delegado e assim foi feito.

Momentos antes da audiência, Baracho arrumou fuligem da parte de baixo de uma chapa de fogão a lenha, com o maior cuidado, sujou uma pequena parte da pedra, bem próximo onde estava o sangue coagulado, colocando a pedra em sua mesa sempre atento para que ninguém a tocasse, principalmente na fuligem ali inserida numa camada tênue.

No dia seguinte, todos estavam presentes no cartório e era visível a curiosidade do delegado, enquanto o advogado fazia reclamações constantes da não necessidade de sua cliente retornar já tendo esclarecido tudo que tinha para ser dito.

Novamente feita a qualificação da viúva, com seus dados pessoais, Baracho iniciou a segunda inquirição como declarações o que só é usado para vítimas ou acusados, naquele momento, o advogado perguntou qual a razão daquilo, ao que Baracho, parando de datilografar, perguntou-lhe: "É verdade que ninguém tem duas impressões digitais iguais, sendo elas pessoais a cada ser humano?"

Ele respondeu: "todos sabem que não há impressão digital igual à de outro ser humano".

Baracho asseverou: "ontem, tive uma informação extraterrestre de que o assassino ou assassina pegou nesta pedra e matou o marido da sua cliente".

Risos de todos, inclusive da autoridade policial, só Baracho permaneceu impassível.

Passados uns segundos, ele disse: vamos confirmar se o meu contato está errado, peço que cada um de nós ponha um dos polegares na pedra e depois o force contra o papel branco na mesa ao lado da pedra.

Aos poucos, cada um foi colocando o polegar na pedra e o forçando no papel, sem resvalar. No papel... Logicamente, nada aparecia. A viúva foi deixada, propositadamente, para última.

Quando chegou a vez da mulher, imperceptivelmente, enquanto a mesma dava olhares de viés para o advogado, Baracho girou um pouquinho a pedra de maneira que o seu dedo tocasse a fuligem ali colocada. Ela colocou o dedo na pedra e o levou ao papel meio trêmula, tão logo tocara a folha branca do papel, a sua impressão digital ficou visível condenando-a, pelo menos para ela, que, aos gritos, virou-se para o advogado e disse: "Não falei Doutor? Que era melhor dizer a verdade do que mentir como combinamos".

A partir daí, sem dar tempo nem ao advogado de intervir, ela foi falando velozmente toda a verdade do ocorrido, da seguinte forma: "Meu marido chegou em casa cheio de cachaça e foi me batendo, como sempre o fazia toda noite, em determinado momento, resolvi defender-me com uma mão de pilão e ele saiu correndo porta à fora tropeçando na pedra e caindo na grama, não o deixei levantar-se, apanhei a pedra arrancada por ele, lhe desferindo uma forte pancada na cabeça, só uma e ele nem gemeu, falecendo em seguida sem nem estrebuchar".

Suas declarações foram tomadas sem nenhuma interrupção do advogado que optou por ficar calado.

Já no final das declarações, Baracho perguntou a mulher se havia alguma coisa mais a esclarecer e a razão de todo o seu desatino, principalmente pelo fato de, praticamente, já estar se acostumando com as surras que vinha tomando do marido há vários anos.

Ela respondeu que, após ele tê-la feito abortar quinze atrás, resolveu não mais apanhar dele, perguntada o que fizera com o feto, ela respondeu que o marido enterrou num canto da cozinha tampando-o com barro branco.

Baracho convenceu o delegado e os demais a irem a casa dela, lá chegando, a própria mulher abriu um buraco num dos cantos da cozinha e foi encontrada uma pasta preta e gosmenta, que um médico que os acompanhara reconheceu como sendo um feto de um a dois meses. Foi feito um laudo de tal encontro e juntado ao processo, o que ajudou aquela pobre mulher acabando por absolvê-la quando foi a julgamento, com a mesma juíza novamente elogiando o trabalho de elucidação do fato por parte de Baracho.

A maior alegria que Baracho teve foi a de ser procurado pela viúva que lhe agradeceu dizendo que tinha tirado um enorme peso de sua consciência ao relatar toda a verdade, acreditando que não iria poder continuar vivendo escondendo o crime que praticara.

(aa.)S.A.BARACHO.
conanbaracho@uol.com.br
Fone: (31) 3846-6567
Sebastião Antônio Baracho

Coronel Fabriciano
MG

De 61 a 70 anos
29/03/2007 envie um e-mail para o autor

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