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O DONO DA MONTANHA!

Quem se coloca (ou foi colocado) no pico de uma montanha de exagerada altitude tem a sensação do pleno domínio do que a sua vista observa ao redor e abaixo. Para o observador em referência, o topo em que se encontra é o seu pedestal indivisível e inatacável:
É um dominador! E, ao mesmo tempo, um controlador imbatível e inacessível. Ele chegou ao cume lutando desbravadamente com, ou contra, os seus pares, aos quais nunca considerou igual a ele. Efetuou coligações e conchaves espúrio e com benefício apenas para Ele.
A cada passo dado em direção ao píncaro, foi pisoteando os seus companheiros de jornada, aos quais, denominava apenas de "peças de reposição" ou... Descartáveis!
Dos mais próximos aos mais distantes do seu relacionamento, foi os escorraçando e humilhando na presença dos demais. A sua meta era chegar ao local mais alto e de melhor comandamento sobre todos. Em nenhum momento do seu sinuoso e aclive deslocamento teve a hombridade de reconhecer ou agradecer a ajuda lhe dada pelos seus auxiliares, não projetando a eles nem sequer um simples sorriso.
Com o inexorável decorrer da vida pelo tempo, Ele foi se aperfeiçoando na tática do engodo e das promessas nunca cumpridas, porém, feitas com esmero detalhista de fingida divisão unânime para o livre e voluntário aceite dos demais. No trajeto até ao cume passou por várias situações, inclusive perigosas e/ou constrangedoras, todavia, sempre aflorava ileso! Deixando atrás de si um lamuriento reclame dos insatisfeitos e por ele prejudicados.
Era um vencedor nato e um atropelador cruel de quem, mesmo o ajudando, tentava se colocar à sua frente na subida pretendida. Não justificava nem perdoava a nenhum erro, mesmo o de menor importância ou repercussão.
Na subida até ao apogeu teve a ajuda de toda a classe de pessoas, desde os mais analfabetos até os doutores, dos operários aos empresários, dos faxineiros aos abastados, dos auxiliares de laboratórios aos cientistas, de alunos a professores e, de honestos a... Bandidos!
A todos descartava ou empurrava "para baixo" a cada patamar atingido!
Quando sozinho, fazia uma "mea culpa" e se considerava o mais lídimo dos homens.
Na véspera de alcançar o pináculo de comandamento, no ponto mais elevado da montanha, efetuou uma espécie de inventário sem dividendos equânimes, dessa forma, determinou aos mais próximos dele que deveriam ficar e dominar às camadas abaixo usando o poder do direito da força sem dar aos inferiores à força do direito de, ao menos, reclamarem. As arrecadações monetárias resultantes deveriam ficar num cofre forte e só poderiam ser manuseadas por Ele... O "DONO DA MONTANHA!".
Todos deveriam se contentar em se posicionarem em plano inferior ao Dele, com os descontentes, a cada ação reinvidicatória apresentada, sendo forçados para as vertentes até ao sopé.
Do alto da montanha, abrangia os horizontes com os seus olhares de rapina e com o "peito" estufado de bazófia e orgulho, mesclado com o cupidez, intolerância e um mesquinho egoísmo.
A sua família deixara o amor pelo caminho e o seguia apenas pelo respeito... Medo mesmo!
Do seu "trono" via mais próximo, no rés do sopé da montanha, as lavouras em tempo de colheita e um formigueiro humano entremeados aos pequenos arvoredos mesclados de pés de milho, feijão, arroz, verduras, e outros. Naquele momento de embevecimento um sinistro esgar de sorriso repuxava a comissura dos seus lábios:
"São as minhas formiguinhas arrecadadoras para o meu paiol e, consequentemente, para o meu bolso!" Pensava nos intervalos do arremedo de sorriso.
Mais ao longe, era vistas as cidades circunvizinhas da montanha, com as suas fumaças e barulhos tonitruantes, abarrotadas de outro tipo de formiguinhas mais parecendo besouros por vestirem-se diferentes dos agricultores, ao que o observador pensava:
"São os meus besouros comerciando e pagando impostos para me manterem aqui em cima a dominá-los, evitando que eles tenham que pensar na forma de repassar às suas produções ou se estafarem só em pensar em seguir os meus passos montanha acima".
Desde quando deixara o "rés-do-chão", medrado dos cidadões comuns e dos carentes de tudo, aprendera e apreendera que a vitória, qualquer que seja ela, só seria conseguido com esforço próprio ou apropriado de outrém sufocando os eventuais ou diretamente rivais, colocando como meta a de que: "os fins sempre justificam os meios!", com isso, se tornara um "cientista" no ludibrio e da apropriação indébita das idéias e das comodidades adquiridas com os esforços alheios.
Tinha formação universitária com louvores, porém, já no início da subida ao topo da montanha, descobrira, sem nenhuma surpresa, de que os conhecimentos da cátedra escolar de nada o ajudariam na "subida", pelo contrário, tivera que mascarar e até sepultar a sapiência em prol do engodo, periculosidade, arbitrariedade com violência, e muitos outros predicados ou adjetivos "negativos" que, colocados na sua "balança mental", lhes deram o discernimento maculado de serem muito mais úteis para vencer aos demais do que a escolaridade adquirida nos bancos escolares.
No "mergulho ao contrário" dado em direção ao cimo, pouco lhe importou a aquiescência, ou não, da sua família e, com prazer, reparou que os seus familiares mais próximos não se desagregaram Dele, aceitando receberem as migalhas que ele deixava escapar por entre os dedos, quantia essa apenas o suficiente para mantê-los coligados e prestativos para, ao mesmo tempo, dar uma satisfação pública da fingida unidade da sua família com ele.
A todo o momento recebia sorridentes assistentes que, curvados em vênias seqüentes, lhe transmitiam as novidades e a prestação de contas do que estava transcorrendo em plano inferior ao dele, por ele cognominado de "Porão amealhador dos seus bens materiais" reduzido para "Porão" astuciosamente para não ferir suscetibilidades ocasionais. Junto dele só era permitido os mais "graduados" assim mesmo pelo tempo restrito às prestações de contas.
Era um "rico ilhado", porém, sentia um prazer insano nesse isolamento, que chamava de "o descanso do guerreiro invencível!", entretanto, pela ordem natural das coisas em que "os pares só são compatíveis quando perfeitos" Ele começou a sucumbir paulatinamente à mesmice, isolamento e ao tédio do cotidiano.
Passo a passo pressentia que algo estava errado com ele.
A princípio, pensou que fosse a ausência de uma maior platéia em admiração constante, ocasião em que determinou que, duas vezes por semana, deveria ser feita uma festa supimpa em um dos "andares de baixo" quando Ele deveria ser a estrela principal do acontecimento... Enganou-se redondamente!
Não teve a compensação desejada para o seu equilíbrio emocional e começou a deparar com o fato de que as atenções lhes dirigidas não passavam de submissão forçada e, tal precedência, até os carcereiros às recebiam dos reclusos sob a guarda deles. Retornou ao ponto mais alto da sua pirâmide pessoal e... Ao abandono!
Tinha quase tudo, todavia, lhe faltava à felicidade plena do aproveitamento do que conseguira com muito esforço.
Um dia, para tentar satisfazer o seu ego, mandou que fosse levado à sua presença o senhor mais idoso do seu domínio, sem nem saber a razão de tal solicitação e escolha.
Após muito procurar, os seus assessores localizaram o "Velho Clemente", senhor de mais de 120 anos de idade e muito querido entre todos, passando a ter com ele o seguinte diálogo:

Estou numa dúvida incessante a me consumir a razão.
-Qual é ou, quais são elas?
-Como pode haver um perdão meritório para pessoa ou pessoas que ceifaram muitas vidas humanas e destruíram várias propriedades alheias além de contaminarem a natureza e os seus habitantes com gazes mortíferos e até urânio dito "empobrecido"?
-O tamanho da culpa é, e sempre será! Menor do que o perdão divino.
Acontece que o perdão, apesar de ser abrangente, não isenta a reparação dos danos aos bens materiais nem alivia a penúria pelas vidas eliminadas pelo beneficiado dele. O perdão vai direto ao coração e a alma ou espírito e, estes, aliviados, atuam diretamente contra a matéria e a inteligência do "carcereiro" forçando-o a ressarcir "Tim por Tim" tudo o que destruiu desnecessário ou injustamente. De "carcereiro", a matéria do anistiado passará a ser conivente consigo mesma por não lhe restar mais nenhum resquício do "mal" anteriormente praticado e por ele abandonado de forma voluntária e apenas sugestionado pelo emissário, ao qual ouviu e acatou.
Livre das "tentações das margens agnósticas" o ser novo e perdoado, só terá a felicidade plena da "alforria" conquistada quando puder, em comunhão com ele próprio, olhar para todos os lados, inclusive o interno, e não ver ou pressentir quaisquer reclames de pessoa ou pessoas que, anteriormente, nas "sombras do mal", causara prejuízo de qualquer espécie. Quando, então, estará sempre disponível a ressarcir os seus erros praticados e a distribuir às suas posses, inclusive as espirituais. Se não conseguir quitar a dívida na atual fase, na certa, o fará na próxima vida e de forma abundante com sobras aproveitáveis. Perdoado, o humano viverá a verdadeira vida para a qual aqui fora colocado pelo "Criador de tudo", mesmo ainda estando em débito pelo mal anteriormente praticado.
O seu futuro destinar-se-á ao pagamento voluntário dos seus erros anteriores ao perdão recebido, o que lhe abrirá às portas da felicidade pela comunhão do seu corpo físico com a sua alma/espírito sem embates internos que só o dividia em si mesmo sem nenhum reflexo externo a não ser a volúpia anterior da conquista para ele próprio, porém, de forma antagônica ao bem comum dos seus semelhantes.
Resumindo... Será um Homem verdadeiro e individual, portanto, UNO PARA O BEM ESTAR SEU E DOS OUTROS!
- Eu tenho a certeza de que você é Uno! Explique-me por qual razão se apresentou a mim como se estivesse em "duplicidade"?
-É muito simples! Quando um professor vai ministrar aulas aos iniciantes ou aos analfabetos, ele deverá saber apenas "um pouco mais" do que os seus alunos para se interagir com eles. Caso contrário, sendo um "PHD", cientista em letras, na cibernética, matemática quântica etc. acabará por confundir os que estão começando o saber das "primeiras letras", tendo, tal professor um conhecimento profundo e, portanto, emitindo os "sopros oratórios sapientes", fruto do seu aprendizado superior, todas às suas aulas acabarão sendo ineficazes ao extremo, ou seja:
Não conseguirá fazer os neófitos se interessarem ou apreenderem pelo "atropelo das novidades desconhecidas" para eles, será como cimentar o lodaçal de maior volume em relação ao cimento utilizado ou... Pregar no deserto das mentes ainda incapazes da assimilação das aulas simples em argamassa com o saber adiantado do professor!
Para se instruir a alguém, principalmente aos renitentes, dever-se-á "ir a eles com a intenção de trazê-los para nós", assim agindo, me dividi em matéria e espírito, ficando na duplicidade a maior parte do tempo da minha oratória feita a você, que, no nosso primeiro encontro, era um neófito quase que total dos conhecimentos espirituais mais profundos, entretanto, como a sua "faísca" ainda tinha uma luz bruxelante "atolada" na sua matéria, com isso, e por isso, consegui avivar à sua chama e, hoje e agora, posso dizer-lhe que estou aqui me apresentando como "UNO" até uma próxima missão à procura, ou procurado, por um outro "Dono de Montanha ou de qualquer outra coisa!".
-Estou satisfeito, ou melhor, eufórico! Com tudo o que me fez enxergar, no entanto, me vejo preocupado com duas coisas, a primeira, é se fui perdoado e, a segunda, qual é a forma com que pagarei pelos meus erros praticados no atropelo quando da minha subida e estadia ao cimo da montanha?
-Você mesmo achará a fórmula e às respostas para essas dúvidas, no entanto, vou lhe dar mais algumas noções:
Consultando o seu coração, unindo-o à sua mente ou inteligência e ao seu espírito, sentirá e saberá se foi perdoado integralmente, isso será um instinto de foro intimo em comunhão com a divindade ou o "Criador de todos nós, inclusive dos maus".
Para ressarcir os seus erros anteriores, primeiro, deverá reatar as ligações fraternais com os seus filhos e demais parentes, não de forma material, que é secundária, mas, com o coração, ora, moldado pelo seu espírito e entendimento lúcido da clarividência do bem. Depois dessa reunião harmônica e homogênea com os seus familiares, você deverá retornar ao rés-do-chão dos seus domínios e recomeçar a nova "subida", desta feita, fazendo exatamente o contrário do que fizera no início da sua escalada possessória.
A forma e o modo de "como, por onde, quando e para onde fazer" você deverá deixar a cargo dos seus novos sentimentos que eles saberão orientá-lo corretamente. Se, na subida encontrar resistência dos demais, sejam eles quem for em número e sugestões diversas, pare, analise e... Atue! Lembrando-se, todavia, que deverá estar "unificado" para tal decisão e que, às vezes, um breve recuo poderá nos dar o impulso necessário a conseguir o mister pretendido, e que, eliminando o interesse monetário ou capitalista monetário ou o do poder terreno. Você deverá deixar "escorrer no seu descaso completo" essas mazelas, isso, será uma arma potente de convencimento aos que você prejudicou anteriormente.
Se no trajeto da "nova subida" se encontrar com alguém que esteja tentando seguir os seus anteriores passos, não fuja dele, contudo, também não se coligue a ele. Deixe-o pensar que a escalada está sendo facilitada pela sua desistência, com isso, talvez mais adiante no tempo, ele virá a vencer ou cair no abismo ou você mesmo poderá vir a ser um "mensageiro" tentando ensiná-lo na retrocedência ao sopé como estará acontecendo consigo.
O importante é sentir-se feliz na sua nova jornada inversa e, se não conseguir chegar ao topo da montanha corrigindo todos os seus erros, pelo menos estará feliz com o que conseguir e terá de volta o aconchego da sua família e de amigos novos que não serão seus bajuladores ou interesseiros e, sim... Admiradores!
-Deverei abrir o meu "cofre" no belvedere para esta minha nova missão refazendo os meus erros do passado?
-Jamais! Quando você arrecadou àqueles bens materiais eles foram frutos dos seus erros e estão maculados pelos desatinos que praticou. Você deverá encetar a caminhada regeneradora e saneadora exatamente como a começou, ou seja: sem nada!
Se conseguir chegar novamente ao Belvedere saberá o que fazer com o dinheiro e, garanto! Que não o esbanjará!

(aa.) Sebastião Antônio BARACHO.
Fone: (31) 3846-6567.
Sebastião Antônio Baracho

Coronel Fabriciano
MG

De 61 a 70 anos
29/06/2007 envie um e-mail para o autor

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