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A história de um vida

Falando um pouco da Revolução...
No ano de 1931, ainda estava no ventre de minha mãe e já havia rumores da Revolução que surgiu no ano de 1932.

Meu pai trabalhava na lavoura, mas não tinha local fixo para trabalhar. Ainda mais com a agitação sobre a provável Revolução, tornava-se mais difícil a situação em geral. Nós morávamos na fazenda Água Sumida, em Barra Bonita. Naquela época a situação era bem pior para as famílias muito pobres e com muitos filhos que viviam mudando de fazenda em fazenda à procura de serviço. Mesmo eu estando dentro da barriga de minha mãe, toda a família se mudou para uma fazenda na região do município de Rodrigues Alves, interior de São Paulo.

No trem em que viajávamos, também estavam os pracinhas que tinham sido convocados para se prepararem, caso a Revolução viesse a acontecer. Eram muitos pracinhas, e seus familiares ficavam chorando na estação do trem, porque não sabiam se eles iriam voltar. O trem partiu, e partido também ficou o coração dos entes queridos.

Durante a viagem, os pracinhas cantavam valsas: “Adeus amor eu vou partir” e a canção do expedicionário “Por mais terra que eu percorra não permita Deus que eu morra”.

Depois de alguns meses na nova fazenda, a família novamente teve que procurar outro lugar para trabalhar e morar, pois havia terminado o serviço naquela fazenda.

Já com a mudança desmontada para de novo sair à procura de trabalho, e esperando a carroça chegar para irem embora, dona Emília, minha mãe, começou a sentir as dores do parto e meu pai saiu desesperado para buscar a parteira.

Quando chegaram, a parteira mandou minha mãe sentar em um banquinho e amparou o bebê para não cair no chão. Foi assim o meu nascimento.

Logo chegou a carroça e seguimos para outra fazenda na região, onde ficamos também por pouco tempo. Depois disso, novamente fomos procurar outro lugar para morar, sempre em busca de uma vida melhor para todos. Depois de certo tempo naquela fazenda, meu pai, senhor Adão, decidiu que voltaríamos para a região de Barra Bonita, a sua cidade natal.

A quantidade de filhos foi aumentando e também a miséria. A situação era muito difícil e, quando meus irmãos e eu iríamos completar sete anos de idade, já íamos para a lavoura com o nosso pai.

Havia um revezamento na organização da casa. Em uma determinada semana, eu levantava mais cedo para fazer o café e aprontar a comida para levar à lavoura. A marmita era basicamente constituída de feijão, polenta, ovo e alguma carne de caça.

Pelo motivo da revolução que ocorrera, havia racionamento de muitas mercadorias, remédios e produtos alimentícios. Na fazenda em que estávamos morando havia um armazém que fornecia alimentos para os empregados. O administrador que tomava conta de tudo era um homem muito ruim, somente vendia os produtos racionados para as pessoas que não deviam ao armazém.

Certo dia, eu e minha irmã fomos fazer uma pequena compra e pedimos para o vendeiro um pouquinho de arroz, porque uma das crianças estava com vontade de comer. O vendeiro ficou muito bravo e disse que arroz era comida de rico, e que comida de pobre era polenta com feijão. Fomos embora chorando, porque nós duas também estávamos com vontade de comer arroz.

Era muito difícil a situação, só comíamos carne quando o pai pegava alguma caça. Tomávamos leite porque nossa mãe criava algumas cabras. A comida de rotina, além da polenta com feijão, era mandioca e algumas verduras, e frutas silvestres. Remédios também estavam racionados, quando alguma criança ficava doente, a mãe a levava na benzedeira e esta indicava o chá que deveria dar para a criança.

Andávamos descalços, e as roupas eram feitas de saco branco, aqueles de ensacar cereais. Eram muitas crianças e, como não tínhamos cobertor, quando fazia muito frio todos ficavam em volta do fogão à lenha, e quando o frio era muito forte, o pai fazia fogo no meio da cozinha para que todos pudessem se aquecer. A casa era de madeira e o chão, de terra batida. A vida corria assim até o dia em que meu pai foi assassinado.

Zulmira Ferreira (a Zuzu do Cordel)
Zulmira Ferreira

Barra Bonita
SP

De 71 a 80 anos
01/07/2007 envie um e-mail para o autor

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