
Quando o mundo digital é imposto à pessoa idosa, sem lhe oferecer outra opção humanizada e presencial, estamos excluindo milhares de pessoas da sociedade em que vivemos. Essa situação não deixa de ser um novo tipo de violência.
QR code… reconhecimento facial…
“Eu não sei usar, mas meu neto de 13 anos me ajuda” (Sonia, de Mendes, RJ); “Minha neta e meus filhos me ajudam, eu tenho receio de errar” (Nil, de São Roque do Paraguaçu, BA); “Eu não consigo fazer reconhecimento facial porque tenho cabelos brancos e minha pela é muito branca…” (Terezinha, de Poços de Caldas, MG). Esses são apenas alguns dos depoimentos de internautas* do Portal Terceira Idade.
Não sou contra o mundo digital, mas é preciso que se respeite as limitações de cada um. Hoje, uma pessoa idosa, até mesmo para suas tarefas mais simples do dia a dia, como escolher uma refeição, muitas vezes, precisa recorrer ao QR code, para marcar uma consulta, precisa baixar um aplicativo e anexar um documento…
Eu mesmo tive que aprender “na marra”, com a ajuda de meus filhos e alguns amigos. Acredito que muitas pessoas como eu passam por essa situação, se sentindo constrangidos com a sensação de que somos “incapazes”…
Letramento digital
O Brasil tem, hoje, 35 milhões de idosos. Em 2030, estima-se que já seremos 42 milhões. Eu acredito que é possível a convivência do mundo digital com um atendimento presencial e humanizado para aquelas pessoas 50, 60+ que ainda não conseguiram se inserir nessa nova realidade que nos é imposta.
Deixo aqui um alerta para a necessidade de uma “alfabetização digital” – ou, como estão dizendo hoje em dia, um “letramento digital” – para as pessoas 50+ desse nosso imenso Brasil. Neste meio tempo, nossa sociedade precisa oferecer outras opções, além de um atendimento humanizado.
A inclusão digital faz parte da inclusão social!
*Os sobrenomes dos internautas não foram publicados para privacidade de seus autores
Foto: Portal Terceira Idade / Gemini AI
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O que significa o letramento digital?
Letramento digital possibilita inclusão e a democratização do acesso às tecnologias
Agente de Saúde e membro do Conselho Municipal do Idoso de Poços de Caldas (MG) (clique aqui para falar com o colunista)









