
“O preconceito contra a palavra ‘pessoa idosa’ revela o desconforto social que ainda existe em relação ao envelhecimento”, reflete Heloísa Ferreira, psicóloga, pesquisadora e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Com base em experiências pessoais, humor, reflexões acadêmicas e observações do cotidiano, Heloísa lançou “Me deixem envelhecer em paz!”, pela editora Appris, no último dia 17 de junho, no Rio de Janeiro, construindo uma narrativa sensível e acolhedora sobre um tema que ainda provoca desconforto em grande parte da sociedade.
A obra reúne 30 crônicas inéditas da autora sobre envelhecimento, idadismo, saúde mental, menopausa, finitude e os desafios emocionais enfrentados ao longo da vida adulta.
Olhando para o próprio envelhecimento

Ela conta que o livro nasceu justamente às vésperas dos seus 40 anos, momento em que passou a olhar para o próprio envelhecimento de forma mais concreta. “Estudar o envelhecimento é muito diferente de refletir sobre o próprio envelhecimento. Eu quis me permitir fazer as duas coisas”, afirma a autora, que é professora do Instituto de Psicologia da UERJ e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Envelhecimento (GEPE) da mesma universidade.
Cabelos brancos, mudanças corporais e menopausa
Ao longo da obra, a autora questiona crenças idadistas profundamente enraizadas, especialmente aquelas direcionadas às mulheres. Temas como cabelos brancos, mudanças corporais, menopausa e pressão estética aparecem associados ao impacto emocional provocado pelo culto à juventude e pelas expectativas sociais em torno do envelhecimento feminino.
“Muitas mulheres envelhecem sob a sobrecarga histórica de cuidado com os outros, o que também impacta sua saúde física e emocional. No livro, procuro denunciar essas formas de idadismo e de injustiça”, destaca a autora.
Sintomas “normais da idade”…
Além do idadismo, o livro aborda a negligência em relação à saúde mental das pessoas idosas. A professora observa que, muitas vezes, sintomas de depressão, solidão ou isolamento social são vistos como “normais da idade”, quando, na verdade, demandam atenção, cuidado e intervenção.
A dificuldade coletiva de falar sobre morte também é tema do livro. Para Heloísa, evitar discussões sobre esse assunto torna o envelhecimento ainda mais difícil. “O medo da morte é legítimo. O problema é simplesmente não considerar que a vida é finita. Quando olhamos para essa questão com mais honestidade, conseguimos viver com mais clareza sobre o que realmente importa”, diz.
Envelhecimento acelerado da população
A autora chama atenção para a falta de preparo do Brasil diante do envelhecimento acelerado da população. “O país ainda enfrenta muita desigualdade social, pobreza e falta de acesso a serviços básicos de saúde, mas também há muitas atitudes, crenças e comportamentos negativos em relação à velhice, à pessoa idosa e ao processo de envelhecimento”, diz ela.
Para Heloísa, é importante gerar reflexões capazes de desafiar o idadismo estrutural. “Quando pensamos na preparação para o envelhecimento populacional, não estamos falando apenas de saúde. Trata-se também de mobilidade urbana, moradia, acessibilidade, segurança, inclusão digital, previdência e oportunidades de participação social”, conclui.
Fonte e fotos (autora e livro): Auracom Assessoria de Comunicação
Foto capa: Portal Terceira Idade / Gemini AI
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Psicóloga, Pesquisadora, Professora
Autora do livro “Me Deixem Envelhecer em Paz!”
SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia> Etarismo
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